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No meio de tanta azáfama — que, mesmo sabendo que faço imensas coisas, continuo a sentir que nada faço — acabei por semiabandonar esta rubrica, involuntariamente. Preciso urgentemente de parar de criar rubricas quando não consigo ter tempo para elas 🌚 Ainda para mais quando esta tem tanta ternura, típica de tudo aquilo que é infantil. É a mistura perfeita daquilo que mais me define — ser mãe, ser antiespecista e ser obcecada por livros —, pelo que continuar com ela faz todo o sentido, mesmo que demore sete meses a renová-la, como neste caso.
Descobri este livro quando a criança andava numas actividades de escola-floresta, há uns dois anos, e não sei dizer quem ele mais cativou: se a mim, se a ela. A identidade visual minimalista, as poucas palavras mas que tanto dizem, a importância da mensagem... sabia que precisava de arranjar um exemplar para termos em casa.
Assim o foi e rapidamente tornou-se num dos seus livros preferidos. Ela já tem vários livros relacionados com a natureza e os animais, mas este destaca-se por um simples motivo: a paleta de cores. Geralmente, os livros infantis são visualmente ruidosos. Este só recorre a quatro tons, cinco se contarmos com o branco, o que acaba por ter duas vantagens: como contrasta com o livro padrão, chama automaticamente a atenção; e, ao permitir que haja muito espaço para o branco, ajuda a que a criança fique mais atenta à mensagem no lugar de se perder no meio de tanta cor e de tantos elementos.
“Tudo começou quando um pássaro deixou de cantar”
Os animais deixaram de se ouvir. Desde a cidade à floresta, da chita à libelinha, nenhum som é produzido. Além deste pacto silencioso, os animais deixam de fazer o que quer que seja: os selvagens recolhem-se e deixam de ser vistos e os domesticados (incluindo à força, como os elefantes nos circos), recusam-se a executar as suas tarefas. As únicas pessoas que compreendem este protesto são as crianças, que a eles se juntam, deixando de ir à escola e de brincar.
Um silêncio colectivo que grita contra a poluição e a destruição ambiental causadas pelo ser humano.
Sobre a autora: Eduarda Lima é licenciada em Arquitectura e mestre em Motion Graphics (design de movimento). É ilustradora, animadora, designer freelancer e autora de livros infantis, sendo o seu trabalho composto, principalmente, por ilustração e animação 2D e que abrange uma grande variedade de projectos: curtas-metragens, videoclipes, anúncios televisivos, animação de logótipos, tipografia animação de ficção, entre outros. No PIM (Mostra de Ilustração Para Imaginar o Mundo) de 2024, participou com um cartaz pela liberdade do povo palestiniano.
O seu primeiro livro para crianças, O Protesto, publicado em Maio de 2020 pela Orfeu Negro, conquistou o Prémio Nacional de Ilustração 2021, na categoria de menção especial, o Prémio Big Aquisição 2021, na Bienal de Ilustração de Guimarães e foi laureado como um dos melhores livros originais ilustrados pela Image Of The Book em 2020.
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É com muita alegria que partilho convosco a Biblioteca da Raposinha, a nova rubrica do blogue: neste espaço, iremos explorar o maravilhoso mundo dos livros infantis que promovem a consciência sobre os direitos dos animais.
Para começar, não poderia ser outro livro que o d'A Menina dos Caracóis da Tânia Bailão Lopes: já referi este livro aqui e aqui, pelo que achei pertinente incluí-lo nesta rubrica para apresentá-lo através do olhar de uma criança pequena. Ao longo da história, uma menina, por gostar tanto de animais, tenta levar os bichos do campo para a cidade: será que teve sucesso na sua missão?
Com uma narrativa fluida e rimada, a Tânia passa a imprescindível mensagem de que a liberdade dos animais é mais importante do que a vontade de os manter perto de nós enclausurados – mensagem essa que a leitora criança, sem precisar de muitas explicações, compreendeu logo, o que, a meu ver, fortalece a perspectiva de que os mais pequenos são naturalmente bondosos e empáticos para com os animais. No livro, ela aponta constantemente para os animais que estão presos e que isso os deixa tristes – e os animais não merecem ficar tristes, não é verdade?
As ilustrações são coloridas mas com um traço suave, o que torna a obra cativante e delicada. É um dos livros preferidos da minha raposinha e não poderia deixar de o voltar a recomendar, de tão bonito e especial que ele é. Está à venda na Wook, em várias livrarias, como a Bertrand, e também pode ser adquirido directamente com a autora, bastando entrar em contacto com ela.
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Sobre a autora: Tânia Bailão Lopes é mestre em Psicologia Clínica e licenciada em Serviço Social. Em 2016 abraçou totalmente o seu amor pela pintura e passou a dedicar-se exclusivamente à criação artística, à escrita e à ilustração. Ilustradora de mais de 80 livros, o seu trabalho já lhe valeu variadas premiações nas áreas de Pintura, Literatura e Ilustração Infantil. Desenvolve projectos juntamente com as escolas, que visam a promoção da literatura e da criatividade nas crianças, sendo que os seus livros Piu e o Planeta e Maria Morte integram o Plano Nacional de Leitura.
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