06/01/2014

O mel é vegano?


Muitas pessoas classificam o mel como um produto de origem vegetal e não de origem animal porque deve-se à extracção do pólen das flores. No entanto, a extracção do pólen é realizada por um animal, cuja finalidade é a alimentação de todos os elementos da colmeia. Assim, o mel torna-se num produto de origem animal porque é criado pelas abelhas e não surge directamente das flores.

As abelhas sugam o néctar da flor, depositando-o no papo ou na vesícula nectífera. Inicialmente, as enzimas decompõem o açúcar do néctar em outros dois mais simples a frutose e a glicose enquanto outras secreções são adicionadas enquanto a abelha realiza o transporte, adicionando outras enzimas como a invertase, a diastase, a oxidase, a catalase e a fosfatase. É na colmeia que a abelha deposita o néctar em favos, onde perderá uma grande quantidade de água e tornar-se-á em mel.

As abelhas trabalham incansavelmente para conseguir alimento suficiente quando as estações chuvosas não permitem que realizem essa acção: é deste modo que os períodos de escassez são compensados. Na apicultura, os apicultores preferem queimar as colmeias ou deixar as abelhas morrer à fome quando tal situação ocorre, já que a manutenção das colmeias é cara. Esta indústria, semelhante às restantes que exploram animais, não olha a meios para atingir o lucro e pouco ou nada importa-se com as abelhas:

– A expectativa de vida de uma abelha-rainha é de cinco anos, mas na indústria ela é inseminada artificialmente e descartada a cada dois meses para aumentar a produtividade da colmeia;

– Para as abelhas-rainhas serem inseminadas artificialmente abelhas macho são esmagadas até à morte, para o seu sémen ser recolhido;

– Para não fugirem, as abelhas-rainhas têm o seu tórax levemente esmagado e/ou as suas asas cortadas e/ou são intoxicadas;

– Na indústria padrão, jactos de fumos são utilizados para atordoar as abelhas: muitas acabam por morrer por causa disso;

– Na mesma indústria, inúmeras abelhas são mortas por esmagamento. A morte das abelhas é irrelevante para os apicultores, visto que extrair a maior quantidade de mel possível é a prioridade.


Os apicultores são também responsáveis pela propagação das doenças ao moverem colónias doentes para junto de colónias saudáveis. Quando conseguem detectar uma colónia doente simplesmente destroem as colmeias, queimando as abelhas vivas. As dietas artificiais que são administradas às abelhas também fragilizam-nas, deixando-as mais vulneráveis a doenças.

As abelhas operárias (...) fazem cerca de 15 voos diários e percorrem 40 a 100 quilómetros. Uma colher de chá de mel é o resultado do trabalho de toda a vida de dez ou doze abelhas. Um quilograma de mel requer o trabalho de 2.500 animais.
— National Geographic, Edição Especial de Ciência 1

Em poucas palavras, o mel é o alimento produzido pelas abelhas para alimentar as abelhas e não a nós. Estes animais esforçaram-se para obter alimento suficiente para toda a colmeia e nós invadimos os espaços delas para retirar aquilo que lhes pertence. Fala-se bastante do mel biológico como uma opção mais humana, visto os produtores de mel biológico serem mais cuidadosos com as abelhas, mas isso não os impede de matar umas quantas quando extraem o mel. Além disso, não deixa de ser exploração de animais para benefício humano, pelo que consumir mel, seja ele que tipo for, não é correcto sem contar que é totalmente desnecessário.

Alternativas ao mel

Erradamente, algumas pessoas insistem em colocar o mel como um ingrediente em receitas veganas quando é considerado não-vegano todo o produto extraído, criado ou proveniente de um animal. O mel, assim como a cera de abelha, a geleia real e a própolis, não são veganos. No entanto, há vários produtos que substituem perfeitamente o mel, seja na culinária ou em indicações medicinais – com a vantagem de não haver risco de botulismo com os mesmos:

• Xarope de ácer: manganésio, zinco e pequenas quantidades de cálcio e potássio
• Xarope de agave: índice glicémico mais baixo (mas não esquecer que não deixa de ser um açúcar);
• Melaço: ferro, cálcio, magnésio e potássio;
• Xarope de maçã: pequenas quantidades de potássio e com sabor muito suave;
• Xarope de arroz: pequenas quantidades de magnésio e potássio;
• Açúcar/néctar de coco: pequenas quantidades de potássio, ferro e zinco, com sabor caramelizado;
• Xarope de tâmaras: fibras, potássio e antioxidantes, sendo uma das opções mais completas e menos refinadas.

Já a geleia real, apesar de medicinalmente ser promovida como um tónico para energia, imunidade e pele, as evidências científicas sobre tal são bastante limitadas. Alternativas que têm mais suporte científico, em relação às suas propriedades, são:

• Ginseng;
• Raiz-de-ouro (roseroot);
• Alho;
• Equinácea;
• Maca peruana;
• Lilás-da-Arábia;
• Aloe vera;
• Linhaça;
• Spirulina;
• Levedura nutricional

E no lugar de própolis, podemos recorrer a:

• Tomilho;
• Sálvia;
• Gengibre;
• Camomila;
• Alcaçuz;
• Alteia (malvaísco);
• Língua-de-ovelha.


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